terça-feira, 22 de novembro de 2011
Não precisamos de teleféricos na Rocinha, mas de um urbanismo pacificador
Para integrar favelas às cidades, é preciso que urbanização, saneamento básico e prestação de serviços sejam levados a sério.
Não faltam projetos para reorganizar os fluxos de pessoas e veículos nesses bairros, aproximando-os do restante da cidade. O que falta é iniciativa das autoridades, mesmo quando as propostas de intervenção se mostram simples e relativamente baratas.
No caso da Rocinha, há um projeto de plano diretor, escolhido por concurso público promovido pelo Estado do Rio, em 2005. Ele prevê o alargamento e a conexão de ruas já existentes e a construção de planos inclinados para facilitar o deslocamento de pedestres.
Prevalece entretanto a velha mentalidade do investimento em obra vistosa, supostamente capaz de gerar dividendos políticos.
Apesar da oposição de arquitetos e urbanistas conceituados, o governo fluminense, com apoio da presidente Dilma Rousseff, anuncia como prioritária a construção de um teleférico, nos moldes do que já foi instalado no Complexo do Alemão.
O projeto parece atender, sobretudo, aos interesses políticos e pecuniários de governantes e de empreiteiras contratadas para realizá-lo. Especialistas afirmam que o equipamento pouco contribuirá para melhorar o policiamento da favela, o transporte de lixo ou o acesso, em emergências, de médicos e bombeiros ao local.
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